É grande a luta pelo poder na esfera da pirataria informática (cujos autores são conhecidos por "hackers"). Nos últimos dias, activistas anónimos da rede fizeram manchete com os seus ataques digitais contra empresas multinacionais, tais como a Amazon, a Paypal e, até mesmo, a Mastercard. Bloquearam os sites destas empresas por as mesmas terem cancelado os serviços da tão contestada Wikileaks. A melhor forma de milhares de pessoas demonstrarem a sua solidariedade para com o fundador desse sítio: Julian Assange. Contudo, também tem o efeito de despertar a consciência colectiva para o facto de na "rede" acontecerem coisas, que poucos entendem e que provocam enormes danos e mau-estar, precisamente porque os autores permanecem na penumbra.
A maioria dos activistas mais jovens não partilham, forçosamente, os mesmo objectivos. Uns fazem pirataria para provar que existem falhas de segurança. Outros lutam por uma "rede" livre de censura, na qual os dados são partilhados por todos - a transparência total. Outros, ainda, pretendem provocar danos graves às grandes multinacionais para, dessa forma, provar quem tem o poder na internet.
Com a prisão preventiva de Assange (sob acusação de abuso sexual) a comunidade cibernáutica ganhou um mártir, à volta do qual se pode reunir de modo anónimo. Descobre-se, assim, um novo movimento revolucionário: o ano de "68 digital". Alguns utilizadores mais radicais querem impor as suas próprias regras na world wide web, ou seja de que não poderá haver regras impostas. Esta postura é completamente errada, uma vez que a internet é uma espaço sujeito à legislação de cada Estado, tal como se constatou na semana passada na Holanda: a polícia prendeu dois adolescentes envolvidos numa ofensiva de atentados contra empresas estabelecidas online. Um deles tem apenas 16 anos, um oficial dos militares ciberbáuticos na idade da puberdade. Até ao momento este ataque ainda só originou danos económicos contabilizáveis, quando comparado com outros boicotes organizados contra marcas mundiais ou produtos. Ainda não é o suficiente para assumirmos que a pirataria informática é praticada somente por indíviduos de carácter duvidoso.
O cenário pode apresentar mudanças drásticas, se o alvo dos activistas cibernáuticos se virar contra pessoas, ameaçando a sua existência, quer por ataque aos seus bens, quer através de acções de indiscrição.
Como encararia Julie Assange o facto de o processo sobre a sua acusação de abuso sexual ser divulgado publicamente na internet? O mundo seria melhor se soubessemos o que consta do mesmo? Vamos reflectir e transpor para a nossa própria "privacidade".

