O conceito de Crowdsourcing é sinónimo do envolvimento do cliente em prestações de serviço voluntárias e gratuítas. Empresas como a IKEA e de desenvolvimento de Software já o fazem há algum tempo. Agora chegou a vez da Google Translate.
Funcionário numa empresa de mudanças, programador de informática e empregado do sector bancário, três profissões completamente distintas que aparentemente nada têm de comum entre si. Mas pensando melhor constatamos: nós próprios já desempenhamos tarefas inerentes a estes trabalhos! Não como actividade profissional, mas sim nos nossos tempos livres, quando mudámos de casa, quando passámos a noite em claro a tentar instalar um programa ou na aquisição de acções online no nosso escritório em casa. Chama-se a isso Crouwdsourcing. O neologismo, introduzido em 2006 por Jeff Howe, refere-se à atribuição de tarefas de uma organização a um conjunto de pessoas externas à mesma. Estas são na maioria executadas via internet e nos tempo livre desses indivíduos. Desta forma, as empresas aproveitam os conhecimentos específicos dos voluntários e conseguem que o trabalho seja feito de forma completamente gratuíta.
Esta tendência chegou agora ao sector da tradução. Google Translator Toolkit é como se chama a nova ferramente o gigante da internet. Uma horda de tradutores voluntários terá como missão ajudar a criar a base de dados de tradução. É uma forma de a Google entrar em grande no negócio do crowdsourcing.
De empresas de desenvolvimento de software a fabricantes de móveis: o crowdsourcing está "in"
Os grandes de grupos de fabricantes de automóveis, empresas de desenvolvimentos de software e até mesmo o IKEA o fazem. Esta última até com muito sucesso. O modelo de negócio da cadeia de mobiliário baseia-se na colaboração activa dos clientes. Somos todos mestres na montagem de artigos. Mas só isto não chega, a estratégia deste gigante da indústria de mobiliário vem mais aquém. Anotar o números dos artigos, retirar caixas de estantes de armazém, carregar o automóvel e, por fim, montar os artigos em casa: é assim um "dia normal" no IKEA. Mas não o de um funcionário! Não, o de um cliente! Chama-se a isto "outsourcing para o cliente". O cliente passa de rei a escravo.
Para as empresas é um avanço bastante lucrativo. A IKEA poupa assim muitos milhões por ano. Vamos ver um exemplo: se a IKEA vender aproximadamente quatro milhões de unidades por ano, a montagem dos artigos levar cerca de 30 minutos e se tivermos em conta um vencimento por hora de oito euros chegamos a um montante de 16 milhões poupados por ano, num só artigo.
Entretanto, o mais comum dos consumidores já desempenha tarefas complicadas sem reclamar. Compra software incompleto e desenvolve em casa soluções personalizadas e sugestões de melhorias no mesmo. Não muitas vezes sacrifica o fim-de-semana em prol da busca em como fazê-lo. Quando já não há alternativa recorre aos foruns online onde em conjunto com "companheiros na mesma cruzada" procura a solução adequada. Alguns engenheiros designam os seus produtos de "produtos banana", uma vez que o fruto só amadurece nas mãos do cliente.
O novo Google Translator Toolkit
"Imagine que não traduz somente palavras, mas que pega em livros e textos que já se encontram traduzidos em diversos Idiomas e os comparam entre si. Imagine ainda que, por acaso, temos milhões desses livros nos nossos servidores..."
Foi com estas palavras que Philip Schindler, director da Google no norte da Europa, descreveu o caminho que a sua empresa quer empreender no sector da tradução. A Google está a tentar compilar uma base de dados gigantesca com traduções que podem ser utilizadas com recurso a algoritmos e automatismos inteligentes em traduções futuras. Será sempre feita uma comparação entre as passagens de texto a traduzir e a base de dados. A Google espera alcançar desta forma uma qualidade superior na tradução automática. A Visão da Google é a existência de uma comunicação sem barreiras entre indivíduos das mais diversas origens. Uma boa premissa, mas com quase toda a certeza uma utopia.